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Vinha vindo uma mulher enorme, muito gorda. Deve fazer tempo que essa mulher não vê sua prórpia buceta, porque até o joelhos não há espaço algum entre as pernas, apenas um emaranhado borbulhante de gordura. Seu andar está afetado, seu corpo está aleijado de forma, de feminilidade. Há tempos certamente que essa mulher não faz sexo, seu rosto está carrancudo, não parece ser uma pessoa feliz. Que homem se enveredaria naquele poço de banha? Essa mulher trocou o gozar pelo comer. Talvez sua mente esteja tão destroçada quanto o corpo, talvez um é reflexo do outro. Seu corpo veio se deteriorando e sua mente abdicou de lucidez e bom senso para acompanhar o trajeto sedentário dos seus hábitos físicos, ou talvez por sua mente inicialmente ser tortuosa seu corpo requeriu uma destruíção equivalente, um preço ao desbalanço e confusões de suas emoções. Essa mulher é uma imensa cicatriz, seu peso colapsa sobre ela mesma. Desfigurada ela caminha na procura de sentido em uma vida absurda. Essa mulher é a humanidade inteira, se entupindo a ponto de quebrar o próprio fêmur num passo curto em busca do que sua confusão lhe sugere.

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